27 / 10 / 2026

Centro Social São João Evangelista: um lugar onde ninguém envelhece sozinho

Na freguesia da Penha de França, o Centro Social e Paroquial São João Evangelista tem vindo a afirmar-se como um importante parceiro do Projeto RADAR, destacando-se pelo acompanhamento próximo da população idosa e pela resposta que presta a pessoas em situação de isolamento ou solidão não desejada.

Com uma forte ligação à comunidade local, o centro acompanha regularmente pessoas idosas, muitas delas em situação de isolamento ou com necessidades de apoio social e emocional. Para Soraia Rebelo, diretora da instituição, a missão passa por proporcionar um ambiente seguro, acolhedor e estimulante a quem frequenta o espaço.

Nesse contexto, alerta para uma realidade que continua a afetar muitas pessoas mais velhas: “Infelizmente, muitas pessoas vivem muito isoladas e sozinhas. Muitas não têm uma rede de suporte de proximidade e nós acabamos por ser um bocadinho a família que não têm.”

Além da alimentação adequada às necessidades da população sénior, o centro promove atividades de estimulação cognitiva, convívio e bem-estar, procurando garantir que os utentes mantêm uma rotina ativa e um sentido de pertença.

A ligação ao Projeto RADAR surgiu de forma natural, através da participação nas dinâmicas e reuniões promovidas pelos parceiros da freguesia. Desde então, a articulação tem permitido encaminhar para o centro pessoas sinalizadas pela rede de parceiros, aproximando-as dos apoios, atividades e respostas que ali encontram.

“É muito importante porque acabam por ser um bocadinho os nossos olhos onde não conseguimos chegar. Sinalizam situações mais preocupantes e ajudam-nos a chegar a pessoas que podem beneficiar do nosso apoio”, refere Soraia Rebelo.

A parceria tem contribuído também para aproximar a população do centro e dar a conhecer um espaço onde o convívio e o envelhecimento ativo fazem parte do dia-a-dia. Através de atividades realizadas em conjunto, muitas pessoas têm a oportunidade de conhecer o centro pela primeira vez, contactar com os seus serviços e descobrir um lugar onde se privilegiam as relações humanas e a partilha de experiências.

Para Mário Pedro André, mediador RADAR na Penha de França, uma parte importante do trabalho passa por incentivar as pessoas a participarem nas atividades do centro e a usufruírem dos seus serviços. O contacto regular com a população permite dar a conhecer o centro e incentivar a participação em atividades que promovem o convívio, o bem-estar e uma vida mais ativa.

Ao longo dos últimos anos, esta colaboração traduziu-se também na realização de iniciativas comunitárias, visitas culturais e atividades conjuntas que envolveram não só os participantes do centro, mas também outras entidades da freguesia. Entre estas iniciativas contam-se visitas a espaços culturais da cidade, como o Museu de São Roque da Santa Casa, que proporcionam novas experiências e momentos de convívio aos participantes. A articulação entre parceiros tem ainda contribuído para reforçar a rede de apoio local e dar a conhecer os recursos existentes no território.

Uma missão que atravessa gerações

A história do centro está intimamente ligada ao espírito de missão da sua fundadora, a Irmã Ângela Lopez. No final da década de 1980, ao contactar de perto com as dificuldades vividas pela população mais idosa da zona da Curraleira, atual Bairro do Lavrado, começou a acolher os primeiros idosos nas instalações da paróquia, procurando dar resposta às suas necessidades de apoio e acompanhamento. O número de participantes foi crescendo e, mais tarde, surgiu formalmente o centro social, que manteve sempre o objetivo de apoiar pessoas idosas em situação de maior vulnerabilidade.

A dedicação da Irmã Ângela marcou profundamente a história da instituição. Durante décadas, acompanhou de perto a comunidade e manteve-se ligada ao centro até aos últimos dias de vida. Em julho de 2020, o seu percurso foi reconhecido com a atribuição do Prémio Nunes Corrêa Verdades de Faria, na categoria «Cuidado e carinho dispensados aos idosos desprotegidos», uma distinção atribuída pela Santa Casa.

Hoje, esse legado continua a orientar o trabalho desenvolvido pela instituição. Como recorda a diretora do centro, "essa continua a ser a nossa missão: apoiar as pessoas idosas mais carenciadas e garantir que encontram aqui um lugar seguro, onde são acompanhadas com carinho e dignidade".

A proximidade à comunidade, a disponibilidade para acolher quem mais necessita e a articulação permanente com o Projeto RADAR têm permitido ao Centro Social e Paroquial São João Evangelista apoiar pessoas que, de outra forma, poderiam permanecer em situação de isolamento. Um trabalho que evidencia a importância dos Radares Comunitários na prevenção da solidão não desejada e na promoção de um envelhecimento mais acompanhado e participativo.

Irmã Angela

Irmã Angela