Jornadas RADAR reuniram consenso para a necessidade de continuar o projeto
5.ª edição do evento decorreu num ano de avaliação do trabalho desenvolvido e de decisões quanto ao futuro.
A Sala de Extrações acolheu na segunda-feira, 9 de fevereiro, a 5.ª edição das Jornadas do Projeto RADAR, numa tarde de partilha de experiências entre os diferentes intervenientes deste projeto, que junta três dezenas de entidades no combate ao isolamento social e solidão não desejada da população com mais de 65 anos na cidade de Lisboa.
Dedicadas à atuação na parte sul da cidade, nestas Jornadas ficou evidente a vontade de todos de dar seguimento ao projeto, neste que é um ano de avaliação do trabalho iniciado em 2019. Efetivamente, entre os intervenientes nas Jornadas foi unânime a intenção de prosseguir o trabalho já desenvolvido e que tantos milhares de pessoas tem ajudado, com a perspetiva de evolução para um autêntico radar social da cidade de Lisboa que integre a própria cidadania como mais um parceiro fundamental no seu desígnio.
A sessão de abertura, conduzida por Mário Rui André, diretor da Unidade de Missão Santa Casa “Lisboa, Cidade Com Vida para Todas as Idades”, contou com as participações de Ângela Guerra, administradora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, além de Maria Luísa Aldim, vereadora do Desenvolvimento Social da Câmara Municipal de Lisboa, Ana Sofia de Oliveira Branco, diretora adjunta do Centro Distrital de Lisboa do Instituto da Segurança Social, Luís Manuel André Elias, Superintendente do Comando Metropolitano de Lisboa da Polícia de Segurança Pública, e Alexandre Rodrigues, comandante do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa. Também Rui Garcês, administrador da Misericórdia de Lisboa, assistiu à sessão.
Para Ângela Guerra, “a Santa Casa tem e terá sempre um papel fundamental no RADAR”, sendo que este projeto só foi possível graças à articulação em rede entre todas a entidades. A administradora da Misericórdia de Lisboa destacou o exemplo da plataforma colaborativa entre as 30 organizações, “uma coisa rara a nível mundial”, e expressou o desejo de que estas Jornadas tenham sido “o primeiro passo na avaliação do projeto, rumo à renovação do compromisso e à concretização do Radar Social da cidade de Lisboa”.
“O Radar Social da cidade de Lisboa só será possível existir e desempenhar a sua função se estiver assente na colaboração entre os parceiros-chave da cidade de Lisboa. Nenhuma das nossas organizações poderá, só por si, assumir a gestão e operacionalização deste instrumento. Só através da colaboração entre parceiros é que conseguimos chegar próximo das pessoas, sem comprometer o sentimento de insegurança, conhecer as suas necessidades e vulnerabilidades, reforçando a sua confiança, partilhar informação, conhecimento e recursos, alavancando a nossa capacidade de responder às vulnerabilidades sociais da cidade, e promover comunidades solidárias e de ajuda mútua, sem descurar a responsabilidade das nossas organizações”, referiu a administradora da Santa Casa.
Por tudo isto, Ângela Guerra concluiu que 2026 “é, assim, o ano crucial para que possamos renovar o compromisso de passarmos a ter o Radar Social da Cidade de Lisboa”.
“Façamos a nossa reflexão. Discutamos o que tivermos a discutir, no sentido de melhorar o instrumento. Vamos partilha experiências, pontos fortes, pontos fracos e oportunidades, e que no final deste ano estejamos preparados para renovar o compromisso com a cidade”, terminou.
Por seu lado, Maria Luísa Aldim, vereadora da Câmara de Lisboa, lembrou que “este é o momento para que todos possam falar de forma aberta, transparente e com ideias para construir uma Lisboa preparada para a longevidade”, na qual “envelhecer não signifique afastar-se da cidade, mas continuar a ser parte ativa da mesma”.
Por fim, Ana Sofia Branco sublinhou o papel da “colaboração estreita entre o poder central e local, instituições sociais, comunidades e cidadãos” no combate ao isolamento social, ao passo que os representantes da PSP e dos Sapadores Bombeiros de Lisboa explicaram as suas atuações no apoio a esta população.
Os trabalhos prosseguiram com uma apresentação de resultados do Projeto RADAR, por Mário Rui André, na qual o diretor da Unidade de Missão Santa Casa “Lisboa, Cidade Com Vida para Todas as Idades” demonstrou alguns números elucidativos do trabalho realizado ao longo destes anos de projeto:
- Mais de 41 mil pessoas 65+ inscritas na plataforma
- Cerca de 5300 radares comunitários
- 31 organizações-chave envolvidas
- 364 focal points no território
- Quase 27 mil chamadas telefónicas para as pessoas inscritas
- 884 ações de rua
Posteriormente, e após um período de conversas informais sobre a atuação de diversos intervenientes no dia a dia do RADAR, houve lugar à realização de uma mesa redonda com representantes das juntas de freguesia, moderada por Paula Guimarães.
Coube, de resto, à empreendedora social fazer as notais finais das Jornadas, afirmando, com exemplos práticos, que “o RADAR é um dos poucos instrumentos em Portugal que está a efetivar algumas das tendências, nomeadamente teóricas, sobre a intervenção no envelhecimento”.
“Estou a falar do Plano Nacional para o Envelhecimento Ativo e Saudável, estou a falar da Estratégia Europeia dos Cuidados e estou a falar do mais recente, que ainda não foi publicado, Estatuto para a Pessoa Idosa. Portanto, o RADAR não é apenas um projeto, do ponto de vista teórico, interessante, mas também um efetivador das tendências portuguesas e europeias em matéria de intervenção integrada no envelhecimento”, concluiu Paula Guimarães.














